Reflexão Subjetiva

Por:Circuito PSI
Novidades

12

mar 2018

Geralmente, uma pessoa procura uma terapia ou análise quando, em algum instante da sua vida, ela percebe que não sabe como agir diante de uma situação. Seja um problema pessoal, de casal ou familiar, ou com qualquer outra pessoa, ela se vê sem recursos para tomadas de decisão.

O psicólogo ou analista tem como objetivo trabalhar as inquietudes e interrogações acerca destas questões. A ideia principal é proporcionar, ou melhor, possibilitar uma abertura, diante da cristalização ou paralisação da pessoa diante dos fatos. Aponta-se para uma possível transformação na vida desta pessoa que procura ajuda. Tudo isso gira em torno de ajudar a melhorar a qualidade de vida desta pessoa e, quem sabe, aumentar o prazer de viver.

Assim, a condição de terapia ou análise pode ser dividida em quatro eixos fundamentais: a queixa, a demanda, a intervenção e o enigma.

O primeiro eixo é a queixa, que ocorre justamente na chegada da pessoa ao consultório. Seu discurso é marcado pelo que ela passa no momento e que não sabe o que fazer. De uma maneira geral, as dificuldades encontradas pela pessoa são, do ponto de vista dela, de responsabilidades do outro. É como se ela dissesse: “Eu sofro!”.

O segundo eixo é a demanda, em que o “Eu sofro” também é marcado pelo “Eu grito”. Ou seja, “Eu sofro e grito”. Há aí um primeiro traço de mudança subjetiva. Desta vez, o que ocorre é um pedido de ajuda, que se torna público e dirigido ao psicólogo. O pedido de ajuda privado, que antes permanecia no âmago da casa ou nas próprias experiências pessoais, agora se torna público. O sofrimento em questão é direcionado a um profissional em que a pessoa supõe saber como solucionar o problema. Na maioria dos casos, a demanda acontece quando a pessoa vê que a sua queixa já se esgotou e que não aguenta mais ficar naquela situação. O pedido de ajuda ou demanda pode ser direcionado ao outro no intuito da real tomada de decisão.

Chegamos, então, ao terceiro eixo: a intervenção do psicólogo, em que a pessoa ainda não é capaz de refletir sobre a sua participação na história apresentada, mas que, pela intervenção, é atingida a ponto de lhe proporcionar tal reflexão. O que queremos dizer é que, a partir deste momento, a pessoa passa a adquirir maior capacidade de refletir sobre a situação pela qual passa e não suporta.

Diante disso, surge o enigma. Algo a ser resolvido, mas que ainda não o foi, pelo próprio encobrimento de algumas coisas, em que a pessoa tem a parcela de responsabilidade dela, mas que ainda não tinha consciência clara disso. O enigma é o engate que falta para levar a pessoa a procurar uma saída, que já esteve apontada nas primeiras sessões: “Eu tenho que saber mais de mim”.

A procura pelo psicólogo e a consequente intervenção do mesmo propicia criar uma ressignificação da situação, como se ela fosse vista por um outro ângulo. É exatamente neste compendio dividido que se produz o enigma e que a pessoa é capaz de dar uma resposta sobre si mesma. A pessoa, quando chega a terapia, não consegue fazer isso sozinha. Podemos deduzir que ninguém consegue! Daí ela procurará um outro, neste caso, o psicólogo ou analista, para que ele lhe indique as soluções para o seu caso. No entanto, a saída sempre esteve do lado da pessoa, mesmo que ela não se dê conta disso, ou que não tenha consciência. É através do enigma que ela se torna capaz de refletir sobre si. Até o momento da situação insuportável, a pessoa via-se escravizada e sem equipamento para resolver a situação. Mas, diante da reflexão, abre-se uma porta para que ela própria possa superar o problema.

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