Alfabetização pelo MÉTODO FÔNICO: uma perspectiva neuropsicológica

Por:Circuito PSI
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26

Aug 2018

Autora: Gabriela Ataíde Paixão.

A alfabetização é um processo complexo e desafiador, que envolve a motivação e o reconhecimento das funções culturais da escrita na nossa sociedade, o que da a ela    importância e significado.

Quando falamos em alfabetizar estamos correlacionando vários fatores, que englobam tanto o papel do professor e o seu conhecimento acerca do funcionamento da alfabetização, como também questões neuropsicológicas numa perspectiva cognitiva, além dos conhecimentos necessários para o educando iniciar a compreensão do código alfabético e sequencialmente a aquisição da leitura.

Neste sentido, a alfabetização pelo método fônico tem se destacado por sua abordagem neuropsicológica. Ele tem como princípio fundamental a aprendizagem da leitura envolvendo a relação fonema-grafema, o que corresponde à relação entre o valor sonoro e a escrita.

Segundo Cozensa (2011) o ato de ler é complexo e exige várias habilidades, entre elas, o conhecimento dos símbolos da escrita e sua correspondência com os sons da linguagem. Nesta direção, vários estudos têm demonstrado que a habilidade que o aprendiz tem de lidar com os fonemas é o indicador mais eficaz da aprendizagem da leitura.

No processamento cerebral da relação grafo-fonêmica existe um modelo de dupla rota, onde os estímulos visuais são levados para o córtex cerebral e a partir dessa percepção existem dois caminhos para a codificação: a rota Fonológica e a rota lexical. Na primeira ocorre um tipo de “montagem grafo-fonológica”, que é, a conversão das letras em sons, o processamento visual do formato das letras, seguido da sua correspondência grafo-fonêmica (região frontal e parieto-temporal); na segunda, ocorre o reconhecimento global da palavra, denominada como área da forma visual da palavra (COZENSA, 2011).

Capovilla (2005), citando Frith (1990), aborda que o processo de aquisição da escrita se divide em três etapas: logográfica; fonológica (desenvolve-se na fase alfabética) e lexical (chamada ortográfica). Esta abordagem destaca a eficiência do método fônico, que é baseado na utilização da rota fonológica no processo de leitura, com enfoque nas correspondências entre letras e sons.

Para Capovilla; Capovilla (2004) a consciência fonológica é à base do processo de leitura e escrita, sendo um fator primordial, visto que o processamento cerebral não utiliza os contornos gerais da palavra, mas decompõe todas as letras e grafemas de forma paralela e em alta velocidade, nos dando uma ilusão que está sendo lida a palavra toda, quando na realidade o processamento acontece por partes.

Nesta perspectiva, no que se refere à aquisição da leitura baseada em fundamentos neuropsicológicos, se tem demonstrado cientificamente que existe uma sequência de processos neurológicos determinados para esta atividade, onde a decodificação acontece das partes para o todo. Por isso, o método fônico tem sido considerado como mais proveitoso para a alfabetização, pois considera a definição biopsicológica alcançando resultados mais rápidos. Desse modo, crianças que apresentam maiores dificuldades no aprendizado escolar, que incluem problemas com leitura e escrita, como é o caso de crianças com diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade ou TDAH e Dislexia, o método fônico tem sido indicado por sua eficácia.

Em contrapartida, optar por usar o método fônico não significa ignorar a existência dos outros métodos, pois cada vez mais acredita-se que no processo de aprendizagem se deve considerar as singularidades e especificidades de cada educando, sendo imprescindível a integração teórica, isto é, saber utilizar o que é mais adequado em cada situação. Assim, cabe a cada educador a escolha do método que irá utilizar, visando uma prática cada vez mais eficaz e significativa para seus educandos.


Referências

CAPOVILLA et al. Processos logográficos, alfabéticos e lexicais na leitura silenciosa por surdos e ouvintes. Estudos de Psicologia, v.10(1), 15-23, 2005.

CAPOVILLA, A. G. S., GÜTSCHOW, C. R. D. & CAPOVILLA, F. C. Instrumentos de avaliação de habilidades cognitivas relacionadas à aquisição de leitura e escrita: análise de validade e fidedignidade. Em A. G. S. Capovilla (Org.). Avaliação e intervenção em habilidades metafonológicas e de leitura e escrita. São Paulo, SP: Memnon, 2004.

COSENZA M. Ramon; GUERRA B. Leonor. Neurociência e Educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.

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